Ja há algum tempo venho ensaiando para falar desse assunto (¬¬). Mas é algo que me intriga muito e que acho muito interessante dividir com vocês. Quem não assistiu ao filme “Blindness”, cuidado, falarei sobre detalhes do filme (aviso de spoilers.. hehehe).

Eu me senti muito tocada quando li o livro Ensaio sobre a Cegueira e depois vi o filme, muito bom aliás, de Fernando Meirelles. O José Saramago tem um talento notável para fazer as pessoas refletirem sobre si mesmas e a sociedade, e nesse em especial não é diferente. O livro, assim como o filme, retrata com detalhes a incapacidade das pessoas de tratar umas às outras como pessoas diante da ausência de um único sentido, a visão. No livro isso fica ainda mais claro por um item sutil, porém fundamental: os personagens não tem nome. No filme isso não parece tão claro, mas é um item que mostra o quanto o ser humano se desvaloriza quando não pode ver o próximo.

Quando as pessoas deixam de ver, fica claro que deixam de amar, de sentir compaixão, de respeitar, de ter moral e ética, itens fundamentais para a estrutura de qualquer sociedade (seja quais forem as regras morais e a ética dela). A traição que a personagem principal presencia é o ponto alto disso, e o perdão que ela oferece a seu marido é a maior prova do que as pessoas são capazes de fazer quando enxergam de verdade o outro. Não só isso, mas também a capacidade de cuidar, de tratar bem, de organizar até uma revolta contra a tirania.

É algo maior do que a cegueira moral, ou social. É uma cegueira espiritual de que o filme trata. Com um exemplo muito simples , da cegueira física, Saramago consegue tocar o íntimo falando da cegueira que as pessoas podem ter a qualquer momento, a incapacidade de ver o próximo e amá-lo. Assim também é o ser humano sem Deus.

Quando o homem está cego espiritualmente, ele é egoísta, desonesto, rancoroso e, principalmente, deixa os instintos animais de seu corpo dominarem a capacidade de raciocinar logicamente. Quantos você não conhece que são assim? Eu conheço muitos que estão como no filme, se deixando dominar por instintos, de prazer, de diversão, de egoísmo, de sexo…Quando algo que o homem tem necessidade de fazer por ter um corpo (comida, cocô, xixi, sexo) é feito desordenadamente, todos saem perdendo pelas condições em que esses atos deixam as outras pessoas, em volta, e isso o filme deixa claro.

O intuito da história é fazer pensar melhor no quanto nós enxergamos de verdade uns aos outros no convívio de todo dia, o quanto você está atento ao seu próximo. Mas isso não acontece enquanto os olhos espirituais não forem abertos e, assim, for possível ver o próximo como amado por Deus e por você também. Pense no quanto você tem amado os seus próximos. E pense em até onde vai o seu amor por eles, se é capaz de alcançar o amor que se tem por si mesmo.

Eu acredito que não é possível sozinho. Só estando com os olhos espirituais bem abertos e focados em Jesus, que morreu para que nós não fôssemos julgados por esses instintos malucos que temos em nós mesmos.

Me peguei esses dias olhando para dentro de um carro importado, de dentro do ônibus que eu estava. Dentro dele estava um engravatado, sorridente apesar do estresse do trânsito. Lembrei dos últimos engravatados com quem trabalhei, vendedores, supervisores e gerentes com muita grana e pouco tempo para família e atividades pessoais. Pensei na possibilidade de eu não ter deixado essa área, que talvez eu pudesse rapidamente estar ali dentro daquele carro, com uma situação muito melhor financeiramente. Mas, antes de concluir esse pensamento absurdo, lembrei o quando eu gosto do meu trabalho hoje, do que eu faço em publicidade, mesmo ganhando bem menos, mas ainda mais que o suficiente para me manter.

Muita gente passa por esse mesmo dilema: ganhar bem ou trabalhar com algo que dê prazer? Ouvi uma vez que para escolher um trabalho você deve pensar primeiro o quanto você gosta de dinheiro, de 0 a 10. Não concordei muito com essa lógica, sempre tive em mente que deveria fazer o que eu gosto, ou o que tenho mais talento pra fazer, algo assim. Algumas pessoas acham isso um absurdo, enfim.

A verdade é que todo mundo gostaria de fazer o que gosta. O problema é que alguns colocam a prioridade de sustentar-se e à família antes dessa realização pessoal, então isso vira um “desejo” no máximo, não uma necessidade. Alguns oram por um salário melhor, em vez de um emprego melhor. Outros pedem a Deus um trabalho melhor, mas “trabalho melhor” significa “salário melhor”.

Baseado no que disse meu pastor uma vez, a frase que pode resumir nossas buscas profissionais devia ser essa: “não quero o trabalho que pedi a Deus, mas o trabalho que Ele me pediu.”

Enquanto discutimos se devemos fazer o que gostamos ou não, Deus tem um plano em nossas vidas que pode ser muito diferente dessas duas coisas. Davi era pastor de ovelhas antes de ser rei. No meio do caminho, se tornou o maior músico de louvor que já existiu. Imagine se ele tivesse dito pra Deus, “olha, muito legal sua proposta de ser rei, mas eu gosto mesmo é de ser músico.” Ou então “esse negócio de ser rei é muito instável, tem muita guerra, não sei se vale a pena. Acho que minhas ovelhas vão me fazer mais dinheiro.”

Te parece estranho? Pois é. Mas por quê?! Porque Davi foi o maior rei de Israel? Hoje é estranho. Mas quem sabe no futuro não pode ser estranho que você, que está em dúvida entre ser engenheiro ou ator, se torne o maior professor que já existiu. Deus tem um plano para você, e não adianta você achar que não tem talento pra isso. Moisés tentou negar o propósito escrito para ele. Deus capacita cada um dos servos dele para fazer o que Ele precisa no Reino Dele. Davi era um homem bom, mas quem vivia nele era um espírito excelente, que é o Espírito de Deus.

Só tem um jeito de ter sustento financeiro e realização pessoal no mesmo emprego. Não pense se você vai gostar ou ganhar no seu emprego. Pense em como você vai obedecer a Deus fazendo aquilo.

Vimos por esses dias o caso da estudante de turismo da Uniban que foi xingada de “puta” pelos colegas por usar um vestido rosa muito curto para assistir aula. A história teve tanta repercussão na internet, que ela ficou famosa e, desde então, dá entrevistas na televisão, rádio, blogs, tira fotos com artistas, mudou o visual com caberereiro das estrelas e tudo.

O que eu quero levantar aqui é um pensamento sobre o xingamento que usaram pra ela. Prostituta é aquela que oferece serviços sexuais em troca de dinheiro, certo? Mas pensemos o seguinte. De todos aqueles que estavam ali xingando, quantos já não se entregaram em troca de alguma coisa?

É um hábito muito comum do ser humano julgar os outros sem olhar a si mesmo antes. E por aí foram os acusadores da Geisy, que julgaram sem olhar a si próprios. A visão de sexo hoje anda tão simplista que já não sei se dá para diferenciar só pelo nome para quando esse serviço é prestado em troca de dinheiro. Quantas daquelas moças não se “venderam” por um jantar, por uma jóia, ou um status de sair de carro importado?

Podemos até ir mais longe um pouco. Já que estamos na era do prazer por prazer, quantos ali não se venderam por prazer mesmo? Entregaram uma parte de si a outra pessoa em troca de um momento. Enquanto o sexo for visto como ferramenta para o prazer pessoal, haverão por aí muitos prostitutos e prostitutas se vendendo pela satisfação própria. Às vezes até afetiva. Vendendo sexo por afeição, carinho, companhia. Por um comodismo de ter alguém para apresentar pros amigos.

O sexo foi criado para celebrar o prazer de uma união, entre um homem e uma mulher, numa aliança de casamento. Não como moeda de troca. Mas como presente de Deus para uma família feliz. Usar esse presente em troca de um momento de felicidade pessoal é como ganhar um carro do pai e ele pedir para você usar cinto de segurança. Se toda vez que você sair você esquecer de colocar o cinto porque é desconfortável, é você mesmo que está saindo prejudicado, e ainda desobedecendo o único pedido de seu pai quando te deu o presente.

Pense em quantas oportunidades perdemos de uma auto-avaliação quando julgamos outra pessoa por “galinha” ou ‘puta”. Se não estaríamos nós mesmas nos vendendo por aí vestindo calça comprida e cacharrel, sem ninguém saber, e achando que estamos fazendo a coisa certa.

E no início era o Verbo.

E o Verbo se fez carne e andou entre nós. Entre ovelhas, lobas, cães e homens. E é graças a essa encarnação do Filho de Deus que nós estamos aqui. Ele veio, viu e venceu, imaculado aos olhos de Deus, culpado aos olhos dos homens. Para você, em qual dos dois se encaixa Jesus Cristo?

Ele foi homem como nós, e deu seu exemplo para que nós o seguíssemos. Independente do que você acredita, fácil sua vida não deve ser. E, por isso, nosso objetivo com este blog é discutir a melhor saída para os problemas cotidianos, as dúvidas e encruzilhadas em que nos vemos todos os dias. Nosso guia nessa jornada é o Senhor Jesus, mas queremos ouvir você e em quem você se espelha.

No nosso caso, o Verbo foi conjugado. E é pretérito, presente e futuro.

Fiquem na paz.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.